Haddad diz ser ilusório achar que reforma administrativa terá grandes cortes de despesa

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“É um pouco ilusório imaginar que a reforma administrativa vai representar grandes ganhos de corte de despesa”, afirmou o ministro

Renato Machado
Brasília, DF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na noite desta quarta-feira (15) que a reforma tributária apresenta um caráter mais urgente, em relação à administrativa -que ainda não tem previsão e perspectiva de ser apresentada.

Haddad ainda afirmou que é “ilusório” acreditar que a reforma administrativa trará grandes resultados com o corte de gastos e que “algumas torneiras” no serviço público podem ser resolvidas por meio da taxação.

“É um pouco ilusório imaginar que a reforma administrativa vai representar grandes ganhos de corte de despesa”, afirmou o ministro da Fazenda, praticamente descartando o avanço dessa reforma nesse início de governo.

“Você contornando os problemas, as torneiras que se abrem dos auxílios […] a reforma tributária pode decidir sobre isso, quando for sobre renda. Várias distorções, várias brechas legais que são utilizadas para você criar penduricalhos, estão sujeitas à tributação sobre Imposto de Renda. Tem muitas formas de resolver. A reforma administrativa é uma delas, mas não é a mais orgânica. Nós temos que combater fraudes, combater despesa tributária”, completou, em fala a empresários.

O ministro da Fazenda participou na noite desta quarta-feira (15) de jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, de empresários, em uma residência no Lago Sul, em Brasília. Ele estava acompanhado do secretário-executivo do ministério, Gabriel Galípolo

Ao chegar para o evento, o ministro ressaltou a importância da aprovação da reforma tributária. Disse que cabe ao Congresso Nacional decidir sobre sua tramitação, mas que a posição do governo será fundamental para definir o avanço da proposta.


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A afirmação aconteceu ao ser questionado sobre a eficácia do grupo de trabalho para debater a reforma tributária, que foi instituído pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).

“O Congresso é quem dá a última palavra, porque se trata de uma emenda à Constituição. Mas, se o governo empurrar, vai favorecer muito a tramitação”, afirmou.

Haddad também comentou a celebração do acordo relacionado ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Federais), para livrar contribuintes de pagar juros e multas em caso de empate nos julgamentos administrativos envolvendo dívidas tributárias. O governo espera assim preservar o chamado voto de qualidade, que garante à Fazenda a manutenção das cobranças quando há empate -ainda que o acerto signifique conceder descontos no pagamento dos débitos.

A negociação, proposta por empresários e avalizada por Haddad, busca evitar um revés do governo na discussão do pacote econômico com o Congresso Nacional.


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O ministro afirmou antes do jantar que iria agradecer aos empresários por terem feito chegar ao Congresso o que descreveu como a “concordância com as medidas fiscais” propostas pelo governo.

Haddad depois afirmou aos empresários que “ninguém ceder em um acordo não é acordo”, no momento em que enalteceu a solução.

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